Redução de 40% no preço do gás não é nada concreto, diz presidente da Copergás

O presidente da estatal de Pernambuco Copergás, André Campos, criticou o Novo Mercado de Gás –projeto do ministro Paulo Guedes (Economia) que estima uma redução de 40% no preço da energia para a Indústria em 2 anos.

“Não há nada de concreto, não há nada definido, a não ser uma declaração do ministro Paulo Guedes, gerando a expectativa de redução no preço de gás. Como isso vai ser feito, eu acho que todo mundo está aguardando pra ver”, afirmou em entrevista ao Poder360.

Segundo ele, para que o preço do gás caia é preciso reduzir o “preço Petrobras”. Campos afirma que 65% do preço do gás em Pernambuco é da Petrobras, 27% é de impostos federais e estaduais e só 8% é a margem de lucro bruto da companhia, atesta o MSN.

A Copergás foi criada em 1991. Hoje, é uma empresa de economia mista. O governo de Pernambuco tem 51% das ações, a empresa japonesa Mitsui e a Gaspetro têm 24,5% das ações, cada.

Em 2017, a Copergás faturou R$ 955 milhões e lucrou R$ 88 milhões –número 24,3% superior ao ano anterior.

O programa Novo Mercado de Gás também defende uma abertura do setor. O CNPE (Conselho de Política Energética) recomendou ações para incentivar os Estados a abrirem mão do monopólio na distribuição de gás.

Campos disse que o governo de Pernambuco, comandado por Paulo Câmara (PSB), não privatizará a empresa por causa disso. Também afirmou que isso não será feito em troca da liberação de empréstimos por meio do Plano Mansueto.

O projeto, batizado em referência ao secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, é uma iniciativa do Ministério da Economia que ajuda os Estados a contraírem novas dívidas com garantia da União em troca de medidas de ajuste fiscal.

Abaixo, leia trechos da entrevista:

Poder360 – A Copergás será privatizada?

A possibilidade é praticamente zero disso acontecer. Não existe nenhuma discursão no governo do Estado de possibilidade de privatização da Copergás. Muito pelo contrário, a postura do governo é que a Copergás é fundamental para o desenvolvimento do Estado.

O que acha do Novo Mercado de Gás?

Eu acho que existe uma grande expectativa de todos os envolvidos no mercado do que é que vai ser proposto. Até agora, o que foi proposto é simplesmente 1 comitê para analisar e acompanhar possíveis mudanças. Não há nada de concreto, não há nada definido, a não ser uma declaração do ministro Paulo Guedes [Economia], gerando a expectativa de redução no preço de gás. Como isso vai ser feito, eu acho que todo mundo está aguardando para ver.

Como está a relação do governo com as empresas públicas de gás do país?

A questão das subsidiárias já está definida. As subsidiárias da Petrobras, o próprio STF já decidiu que podem ser vendidas, independente de leilão. A questão das distribuidoras estaduais, todo mundo está nessa expectativa –o que vai acontecer. A grande questão do preço do gás no Brasil se chama Petrobras. No caso de Pernambuco, o preço que a Petrobras vende representa 65% do custo da Copergás. Isso fora imposto. A possibilidade de reduzir o preço de gás do mercado brasileiro passa, principalmente, pela Petrobras.

Guedes disse que vai abaixar em 40% o preço do gás com o Novo Mercado. O que o sr. acha disso?

Eu torço pra que isso seja verdade, mas eu não vejo concretamente como isso irá acontecer. Até porque o ministro Paulo Guedes coloca isso como uma expectativa dele, mas não esclarece como isso será concretizado.

O que pode ser feito para abaixar o preço de gás?

No quadro de hoje, baixar o preço da molécula na origem, ou seja, na Petrobras. Esse é principal. O mercado de gás no mundo está com tendência de queda de preço.

07/08/2019